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14/06/2009

Em sua quarta edição a Mostra Amazônica do Filme Etnográfico homenageia o cineasta Adrian Cowell.

Adrian Cowell nasceu na China em 1934. Estudou na Austrália e graduou-se em  História, em 1955, pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Entre 1957 e 1958, fez sua primeira viagem à Amazônia brasileira, integrando uma expedição de jovens cineastas da Oxford & Cambridge Expedition, para a produção de 4 programas de 26 minutos para a BBC. Durante dez anos, de 1980 a 1990, fez a crônica da colonização, do desmatamento e dos incêndios na floresta. Documentou as campanhas ambientalistas, a morte de Chico Mendes, a criação das primeiras reservas extrativistas e os primeiros contatos com os índios Uru Eu Wau-Wau. Sempre com o apoio da Universidade Católica de Goiás e a co-direção e produção brasileira a cargo de Vicente Rios.
Como ativista, Cowell foi um dos fundadores do Television Trust for the Environment. Escreveu dois livros sobre índios brasileiros, The Heart of the Forest (Knopf, 1961) e The tribe that hides from man (Stein and Day), além de um livreto sobre a série A Década da Destruição.

 

14/06/2009

Maior acervo de produção audiovisual sobre a Amazônia chega ao país em 2008

O maior acervo de filmes existente sobre a Amazônia brasileira, resultado de 50 anos de produções dirigidas pelo cineasta britânico Adrian Cowell para a Televisão Central de Londres e para a Rede de Televisão Inglesa BBC, chegou ao Brasil em fins de 2008
Fruto de um convênio entre a Casa de Oswaldo Cruz (COC) e a Universidade Católica de Goiás (UCG), os filmes de Cowell, cuja autoria divide com o cinegrafista Vicente Rios, serão catalogados e transportados ao Brasil pelo projeto "Histórias da Amazônia - 50 Anos de Memória Audiovisual", patrocinado pela Petrobras.
O acervo foi doado ao Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA), que integra a UCG, instituição co-produtora dos filmes de Cowell. Para isso, a pesquisadora da COC, Stela Penido, viajou para Londres em outubro de 2008 a fim de iniciar, segundo ela, a primeira e mais importante etapa do projeto, que foi a transferência do acervo para o Brasil.
São cerca de 16 toneladas de latas de filmes 16 mm, fitas de áudio, documentos, diários de campo e fitas de vídeo mini DV contendo, em sua maior parte, material inédito, não editado, relativo às grandes questões da história da Amazônia dos últimos 50 anos, como a implantação do Parque Indígena do Xingu; o primeiro contato de Cowell com as tribos indígenas Panará, e Uru Eu Wau Wau; o projeto Polonoroeste; a hidrelétrica de Tucuruí; questões de mineração; pesquisas científicas feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) sobre as questões climáticas; registros da luta do ambientalista e seringueiro Chico Mendes, entre outros.
O projeto também prevê a realização de mostras de filmes e seminários em Goiânia, Brasília e Rio de Janeiro para a divulgação do acervo.
A Casa de Oswaldo Cruz e a Sociedade de Promoção da Casa de Oswaldo Cruz (SPCOC) foram convidadas para atuar como parceiro técnico e proponente desse trabalho devido a sua comprovada experiência no desenvolvimento e coordenação de projetos culturais.
Profissionais da COC, com atuação tanto na área de arquivo e documentação fílmica, como em produção de filmes e vídeos documentários, trabalharam na organização dos filmes que compõem o acervo do diretor inglês, de maneira a serem disponibilizados para pesquisa através de uma base de dados.
Aprovado e apoiado pelo Ministério da Cultura, o projeto conta ainda com apoio institucional do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama.
Prevê também a realização de outras ações futuras, tais como: telecinagem do material bruto, produções educativas, acesso a esses registros inéditos por professores e pesquisadores; pesquisas sobre a vida e obra do diretor Adrian Cowell, sua visão sobre a questão das minorias e sua relação com personalidades brasileiras ligadas à política socioambiental para a Amazônia.
Documentarista premiado, Adrian Cowell veio pela primeira vez ao Brasil em uma expedição das universidades de Oxford e Cambridge. Aprendeu a falar português no Xingu com o cacique Raoni, quando ambos estavam na faixa dos 20 anos de idade. Ainda hoje, aos 75 anos, continua documentando a história da região Amazônica.
Para os profissionais da Casa de Oswaldo Cruz envolvidos no projeto, a vinda para o Brasil do acervo de Cowell possibilita o acesso a um material histórico de valor inestimável sobre as questões ambientais e o processo de ocupação da Região Amazônica nos últimos 50 anos.

Cópias dos filmes de Cowell telecinados enriquecerão o acervo da Casa de Oswaldo Cruz e serão disponibilizados ao público .

 

Assista à abertura do filme The Tribe that Hides from Man, de Adrian Cowell.